Mostrando postagens com marcador marajoara. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador marajoara. Mostrar todas as postagens

Artesanato paraense na temporada de moda carioca, e outras possibilidades

17 janeiro 2012 Por Fernando Hage 0 comentários
Aconteceu na última semana a temporada de moda carioca, com os eventos Fashion Rio e Fashion Business ocorrendo simultaneamente. Entre tendências, modismos e muitas "cópias" do que se vê nas semanas de moda internacionais, a jornalista e expert em moda Cristina Franco montou dentro do Fashion Business o Espaço Mãos, que ia na contra-mão de tudo isso e apostava na tradição criativa e artesanal brasileira, que nos faz um país com uma forte economia criativa de norte a sul.

Pintura em tecido dos índios kayapó, no Pará, apresentada na exposição idealizada por Cristina Franco.
(Reprodução/Heloísa Marra)


No espaço de Cristina Franco, um dos destaques foi a coleção Manualidades, que nasceu a partir do workshop que a jornalista fez em parceria com designers paraenses do Pólo Joalheiro, que já falamos aqui no blog. Pesquisando na internet, encontramos uma matéria no site da jornalista Heloísa Marra que mostra mais detalhes da mostra, incluíndo aí um vídeo aonde a idealizadora da expoção explica pessoalmente as peças criadas aqui no Pará logo no início da entrevista.


A consultora ao lado dos produtos criados em 2011 por designers e artesãos do Pólo Joalheiro - Espaço São José Liberto, em Belém (Reprodução/Heloísa Marra).



"O artesanato é a espinha dorsal do luxo"
Frase de Cristina Franco em entrevista para Bruno Astuto.

Um outro destaque da semana de moda carioca, agora já no Fashion Rio, foi o desfile do pernambucano Melk Z Da, que inspirado nas bonecas de barro criadas por todo o país, trouxe para a passarela vestidos com aplicações de barro e colares de strass com rosas e babados em barro, feitos em parceria com a artesã Rosário Carvalho, de Caruaru (PE). O material, conhecido de todos, chamou a atenção pela sua inovação na moda, e isso têm tudo a ver com o Pará também, pois em junho de 2011 a coleção Costurando Sonhos Cikel-Unama já apresentou botões, miçangas e colares feitos do barro que dá origem as conhecidas cerâmicas marajoaras da cidade de Icoaraci, distrito de Belém. Esperamos que o projeto desenvolvido pela recém graduada em moda, Marina Paola, que desenvolveu este trabalho em cerâmica também no seu TCC, tenha inspirado o trabalho de Melk, que por fim inspirou muitos fashionistas a pensar novas possibilidades para o vestir contemporâneo.

Detalhe de um dos looks de Melk Z Da construído com aplicações de barro e colar do mesmo material (Reprodução/FFW)


Imagens do desfile da coleção Igaçaba, vencedora do concurso Costurando Sonhos 2011, apresentado na 11º Caixa de Criadores - Junho/2011 
(Reprodução/Renan Viana)

Amazônia: Produto de Exportação

09 abril 2010 Por Fernando Hage 2 comentários


Nosso querido Açai está ficando cada vez mais globalizado. Junto com a febre do açai com guaraná, granola, banana, uva passa, morango que assola a região sudeste do país (alguns paraenses ficam enjoados só de pensar na mistura), o fruto também começou a aparecer em cosméticos no Brasil e agora chegou "chegando" no mercado internacional. É que a marca Kiehl´s, em comemoração ao dia da terra, lançou um tonificante protetor para a pele à base de açaí e chamou para desenhar os rótulos pessoas de peso como Julianne Moore, Jeff Koons, Pharrell Williams e Malia Jones. A edição é limitada e está a venda desde o dia primeiro no site da marca.

Talvez existam pessoas que não tenham percebido ainda, mas a Amazônia e seus produtos estão cada vez mais em destaque dentro do mercado. O interesse pela região mistura não só questões ambientais, mas também curiosidades sobre a cultura e o potencial que determinados produtos naturais, já utilizados na região há tempos, podem ter na indústria cosmética, entre outras.



Quem não conheçe o Palmolive Amazônia, feito com castanha do pará e linhaça (linhaça?), mas que mostra como os produtos com esse "selo amazônico" estão cada vez mais populares. As propriedades químicas de determinados frutos, sementes e folhas estão sendo cada vez mais descobertos e utilizados em diferentes indústrias. A malharia Menegotti, por exemplo, produz a malha Ecologic, de algodão orgânico, e amaciante natural que têm como base a manteiga extraída das sementes do Cupuaçu.

Pensando nas questões ambientais, a marca Osklen, que desfila na SPFW, se aliou a WWF e lançou como sua campanha de inverno 2007 a coleção "Amazonian Guardians" (Guardiões da Amazônia). A idéia foi alertar sobre o desmatamento da região, tentando unir as pessoas em torno da preservação, mas o que se viu foram muitas camisetas com o nome do projeto circulando por aí.



Outra iniciativa que une sustentabilidade e moda é a da marca de tênis francesa Veja. A marca produz seus tênis com algodão orgânico do nordeste ou couro processado naturalmente com extrato de acácia. O solado, com selo "borracha da amazônia", é extraído e manufaturado por uma comunidade no Acre e por fim, tudo é costurado em Novo Hamburgo (RS) e parte para ser comercializado principalmente na França, com preços em média de 80 euros.



Mas nem sempre a Amazônia serve de inspiração por questões ambientais ou por causa de seus insumos. O empresário carioca André Bendavit começou ainda quando era estudante, na Austrália, a vender bíquinis brasileiros produzidos no Rio. Quando decidiu abrir sua empresa, decidiu chamá-la de Marajoara, fazendo referência a tribo indígena primitiva que habitou terras paraense. A grife não têm discurso ambiental nenhum, mas com esse nome charmoso continua fazendo sucesso na Austrália e é comercializada no Brasil também pela internet na loja Khoris.com.



Depois de tantos exemplos interessantes de como a Amazônia vem inspirando novos produtos para o mercado, deixo uma pergunta no ar: se a região está cada vez mais em pauta, por que ainda vemos poucos amazônidas (e especificamente paraenses) aparecendo no mercado? Muitos consumidores estão de olho na Amazônia e muitas empresas de fora estão trabalhando com os materiais da região, mais ainda são poucos os próprios habitantes da Amazônia que prestam atenção nisso, o que é uma pena, pois a Amazônia, em toda sua história, parece só ser descoberta por exploradores estrangeiros. Que tal mudarmos isso?

Fernando Hage